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1941, Santa Maria, RS

Carlos Vergara, nascido em 1941 em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, é um dos mais notáveis artistas brasileiros da contemporaneidade.

Muda-se para o Rio de Janeiro na década de 1950, momento inicial de sua carreira artística, que começa a se consolidar na década seguinte. Nesse período de intenso contexto político e social, Vergara torna-se figura central do movimento Nova Figuração Brasileira, utilizando sua arte como crítica contundente à realidade da época. Iniciou seus estudos na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sendo aluno de Iberê Camargo no Instituto de Belas Artes (RJ).

Mais tarde, atuou como assistente no ateliê de Camargo. Seu desenvolvimento foi enriquecido por estudos em Paris, onde se aproximou de novas correntes artísticas, expandindo a sua visão criativa.

Em maio de 1965, Vergara participou do XIV Salão Nacional de Arte Moderna, onde conheceu o artista Antônio Dias, que o apresentou ao marchand Jean Boghici. Esse encontro resultou em sua inclusão na exposição Opinião 65, organizada por Boghici e Ceres Franco no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A mostra, inaugurada em 12 de agosto de 1965, foi um marco na arte brasileira, destacando a postura crítica dos jovens artistas da época. No final de 1965, Vergara integrou a exposição Propostas 65 na Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo, com obras como Eleição, Discussão sobre Racismo e O General, além de participar do Salon de la Jeune Peinture no Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris, ao lado de Antônio Dias e Rubens Gerchmann.

Durante a década de 1970, o trabalho de Vergara passou por transformações importantes, incluindo o uso crescente de fotografias e instalações. Já nos anos 80, sua produção se concentrou em pinturas e monotipias, explorando novas técnicas e materiais, mas mantendo a identidade e a expansão do campo. Nesse período, Vergara mergulhou na produção de obras abstratas geométricas.

Em 1977, o artista começou a empregar pigmentos naturais e minérios em suas obras, aprimorando a criação de não apenas a obra final, mas também seus próprios meios. Vergara também colaborou com arquitetos, realizando painéis para diversos edifícios. Um exemplo é seu trabalho de 2014 na fachada do edifício Link Office, Mall & Stay, na Barra, no Rio de Janeiro, onde utilizou materiais e técnicas que remetem ao artesanato popular.

Em 1997, o artista realizou a série Monotipias do Pantanal, em que explorava o contato direto com o meio natural, transferindo para a tela texturas de pedras, folhas e outros elementos da natureza. Hoje, o artista continua suas experimentações pictóricas, e se utiliza de minerais e pigmentos naturais para compor suas obras, como o carvão e a seiva oriunda do pau-brasil. Seu legado

 

é representado em importantes instituições, como o Instituto Inhotim, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM SP), o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM RJ), o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, a Pinacoteca de São Paulo e a Fundação Gulbenkian, em Lisboa, entre diversas outras coleções renomadas.

Ao longo de sua trajetória, Carlos Vergara realizou mais de 180 exposições individuais e coletivas, consolidando-se como uma referência na arte brasileira e mundial, dono de um repertório que continua a expandir e desafiar os limites da expressão artística.